antes de ler, ver a postagem "a lista - uma introdução"
Mário Rosa
Filho de Seo Manel. Barba meio preta, meio ruiva (hoje, fios de prata).
Senta na calçada, cruza as pernas (há uma bota em cada pé) e fica como estátua de barro vermelho fumando o cigarro que apertou. Prometi um litro de whisky, vez.
Na final da copa da França, rasgou um pedaço da camisa a cada gol sofrido pelo Brasil. Pediu que a esposa costurasse quando chegou em casa.
Ri sinceramente o peito com os botões abertos: coração.
Seo Expedito
O outro lado da Cazuzinha Marques. Na esquina, mercearia. O seo Expedito de olhos azuis, branco, óculos, shorts, vendendo pão na minha infância. Bombons também e outras miudezas em grandeza. Hoje, pouca gente na mercearia, pouca coisa nas prateleiras. Seo Expedito continua na calçada, quase cego, olhando a rua... E é a rua mais bela dos anos passados.
Com essa imagem nos olhos, talvez até seja melhor ficar cego.
Geralda Badu
É urgente ir para a rezadeira, que isto é espinhela caída. Calçada alta na beira do asfalto – umas das duas únicas ruas que o tinha. Eu, pequeno: minha avó me levava. Geralda, senhora de vestido e sangue índio nos olhos puxados. Eu sentado na cadeira de balanço: balança um ramo que pegou no quintal. Reza baixo – só os carros indo e vindo. Seus olhos lacrimejam.
Viu como o mal olhado era grande? Ela até chorou.
Seo Silva
Calça frouxa. Caindo. Pele morena. Andando nas ruas ao lado da Rodoviária de Acopiara. Quase não consigo entender o que diz, mas arriscamos algumas palavras. Vê-se as costelas.
“Peru!” Seo Silva, xingando, arremessa pedras nos meninos, que correm mais que ele.
Seo Jesus
Chapéu, camisa de botões, chinelo, bigode. Vendia bombons, “chilitos”, chocolates e chicletes dentro da escola.
Operava milagres invisíveis, mas cotidianos: moedas em doces.
Está sentado à direita do carrinho, está?, de onde há de falar e vender aos meninos e aos homens.
Katchup
Criminoso, meliante, elemento, vagabundo, ladrão da região centro-sul, homicida.
Beira do Jaguaribe (Iguatu), disparos. Pela vida. Usado o molho para temperar os jornais, jogaram o saquinho no lixo.
O prato mais saboroso que experimentei nos últimos dias... essa postagem que completa a anterior está uma deliícia: poesia em prosa feita no rumo das coisas e das genstes desimportantes... Manoel de Barros, poeta pantaneiro lamberia os beiços com essas linhas...
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